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maio 07, 2017

Bruno de Carvalho e o uso da vírgula...


Seguindo a regra de que palavras, expressões ou orações colocadas na frase em ordem inversa devem ser separadas por vírgula e considerando que o isolamento pela vírgula confere maior realce, neste caso, há razões acrescidas para a empregar.

CONCLUSÃO:
A transcrição do que disse BC deveria ser: 
PARA MIM, CHEGA!
Na ordem normal, não haveria vírgula: "CHEGA PARA MIM!"

Obs.: Como muitos políticos, os presidentes dos clubes (de todos eles!) sabem-na toda: colhem os louros sofregamente, mas quando as coisas não correm de feição, disparam em todas as direções (sobretudo sobre os árbitros ou outros clubes) ou vergastam os jogadores e/ou treinadores. Nunca assumem culpas e, pensam eles, estão sempre na mó de cima…

Abraço.
ProfAP

RIBALDARIA ou REBALDARIA?


Há dias, ouvi o autor de um livro sobre erros da língua portuguesa dizer que “rebaldaria” é erro e que a forma correta é “ribaldaria”, termo que vem de “ribaldo”.
Como sempre disse “rebaldaria”, resolvi dar corda aos dedos e fazer umas pesquisas sobre o assunto. E se ainda há dez anos o Ciberdúvidas garantia que a grafia certa só podia ser “ribaldaria”, os dicionários Priberam e Infopédia e o Vocabulário Ortográfico do Portugal remetem, de forma unânime, para uma conclusão bem diferente.

RESPOSTA:
Há duas grafias possíveis:
RIBALDARIA, com origem em “ribaldo”, do francês ribaud (patife),
e
REBALDARIA (de cariz mais popular, variante formada a partir de ribaldaria).

Abraço e bom final de domingo, sem grandes ribaldarias/rebaldarias!

ProfAP
Imagem encontrada AQUI.

abril 25, 2017

“25 de abril” OU “25 de Abril”?

Onde está a flor de capuchinha, vejam um cravo. Quanto à pressão de ar, imaginem uma G3...

A resposta à pergunta de hoje depende de duas coisas.

A. Se usa o AO90:
As duas formas são certas, dependendo do contexto.
Como os meses do ano passaram a ser grafados com minúscula, enquanto data, deve escrever-se "abril":
Mas, tratando-se do “25 de Abril”, emprega-se maiúscula, como devemos fazer com os nomes de festas e festividades (regra de 1945 não alterada pelo AO90).   
Assim sendo: 
Hoje, 25 de abril, celebra-se o 25 de Abril.

B. Se segue as regras do AO45:
25 de Abril, sempre!

Abraço e bom “25 de Abril”!
ProfAntónio

abril 22, 2017

Faz sentido dizer SETORA?


Ao contrário do que se possa pensar, o termo setor/a (com a variante stor/a) não é destituído de sentido. Embora não esteja registada nos dicionários, faz parte da linguagem oral e é uma das palavras mais utilizadas nos meios escolares.

Quanto à formação, “a palavra stora, ou setora, é uma amálgama com origem na forma de tratamento senhora doutora.” (Ciberdúvidas)

Esta é uma boa aplicação prática da máxima de Fernando Pessoa: «A linguagem fez-se para que nos sirvamos dela, não para que a sirvamos a ela.»

Abraço e bom fim de semana, em particular para todos os stores e storas!
ProfAntónio

A propósito do Sporting-Benfica, de onde vem a palavra DÉRBI?


Nota prévia: Como acontece com todas as palavras graves terminadas em i e u (seguidos ou não de s), como é o caso de penálti, júri ou bónus, é obrigatório uso de acento em dérbi, aportuguesamento de derby (a usar entre aspas ou em itálico).
Quanto à origem da palavra, dou a palavra ao imprescindível Ciberdúvidas:
A palavra "derby" – ou dérbi, segundo o aportuguesamento da palavra original inglesa, proposto pelos dicionários Houaiss e da Academia das Ciências de Lisboa – aplica-se ao futebol para determinar um jogo entre duas equipas da mesma cidade. Entre duas equipas da mesma cidade, e não entre duas equipas de cidades diferentes, como por erro se lê e ouve por aí...
Embora existam várias teorias, a que reúne maior consenso situa a origem na cidade inglesa de Ashbourne, no Derbyshire, onde desde a Idade Média se disputa na Terça-Feira Gorda e na Quarta-Feira de Cinzas (Carnaval) um jogo que envolve toda a população, dividida em representação das duas margens do rio Henmore.
O jogo consiste em conduzir uma bola (ou algo parecido) até às balizas, situadas em cada extremidade da povoação, a cerca de três milhas uma da outra...
Este é o único dos muitos "derbies" carnavalescos da Idade Média, em que valia tudo e acabavam invariavelmente em gigantescas zaragatas, que resistiu até hoje.
O “Royal Shrovetide Match” é o grande cartaz turístico anual de Ashbourne: o pontapé de saída é dado às 2 horas daqueles dois dias, junto ao supermercado no centro da cidade.

Abraço e venha o dérbi mais logo.
ProfAntónio
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abril 19, 2017

“Hat-trick” de Cristiano Ronaldo arrasa alemães! Mas o que é isso do “hat-trick”?


A locução “hat-trick” (com a variante “hat trick”), é muito utilizada no futebol. Não havendo uma tradução satisfatória, deveria estar registada nos dicionários como estrangeirismo. No entanto, só a encontrei no dicionário Priberam: “Conjunto de três golos marcados no mesmo jogo por um jogador.
Quanto à origem, são várias as hipóteses.
No desporto, o “hat-trick” surge pela primeira no críquete, em 1879, designando três “wickets” consecutivos. O “wicket” corresponde a grupo de três paus verticais unidos por barras horizontais chamadas “bails”, defendido pelo batedor. Se um defesa conseguir acertar num desses paus, o batedor é eliminado. Cada vez que um pau é derrubado, o defesa faz um “wicket”. Três “wickets” correspondem a um “hat-trick”. Ou seja, o que está associado hoje aos avançados começou por ser uma estratégia dos defesas.
A partir dos primeiros anos do século XX, a expressão alargou-se a outros desportos, nomeadamente ao hóquei no gelo no Canadá, havendo um registo de 1941. Parece que quando um jogador marcava três golos no mesmo jogo, os espectadores comemoravam o feito tirando os chapéus e atirando-os para a pista de gelo.
No entanto, o mais provável é que a origem do “hat-trick” esteja, antes da entrada no desporto, em meados do século XIX, no truque (“trick”) do mágico a tirar objetos de dentro do chapéu (“hat”). 
Como se chega do chapéu do mágico de 1860 a CR7 não sei, mas é inegável que magia nos pés não lhe falta e tira coelhos da cartola quando menos se espera...

Abraço para todos, mas em especial para a magia do nosso Cristiano Ronaldo!
ProfAntónio
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abril 18, 2017

"Louvemos o Senhor" ou "Louvemos ao Senhor"?


Mais um caso a provar que a língua portuguesa não é pera doce.
Para a questão de hoje, o site https://www.flip.pt/Duvidas-Linguisticas dá-nos a resposta:
“O verbo louvar, no sentido de “enaltecer”, é habitualmente usado como transitivo directo, isto é, selecciona geralmente um complemento que não é regido por preposição (ex.: louvemos o Senhor), mas pode também ser usado com o complemento directo introduzido pela preposição a (ex.: louvemos ao Senhor), pelo que ambas as frases (...) são consideradas correctas.”

Abraço a todos.

ProfAntónio